Joãozinho deixa saudades como atleta e cidadão

Joãozinho em uma das formações do Madrid na década de 70 (E/D): Madalosso, Hélio, Ribeirinho, Ari, Paulo André e Gilfredo (em pé); Davenir, Marcarini, Mauro, Joãozinho e Bira (agachados)

Caxias do Sul perdeu, no dia 14 do mês passado, uma das figuras mais destacadas do futebol amador caxiense nas décadas de 70 e 80. E perdeu também um cidadão íntegro, de muitos amigos dentro ou fora do esporte, como bem define seu irmão Bira: “Ele sempre foi um cara alegre, tranqüilo, parceiro, uma pessoa de grande coração. Por isso tudo, fez muitas amizades, não apenas no esporte, mas também no trabalho, em qualquer lugar onde ia”.

Joãozinho é natural de Cazuza Ferreira (São Francisco de Paula) e chegou com a sua família em Caxias do Sul, no final da década de 50, tendo como objetivos principais os estudos e o trabalho. No futebol, na adolescência, Joãozinho teve passagem pelas equipes juvenis do Gianella e Grêmio Esportivo Flamengo. Mas foi na Metalúrgica Bellini, onde trabalhou durante 30 anos – iniciou em 1969 -, e no Madrid, que ele construiu a sua história no esporte amador caxiense. Brilhou no SESI, com a Bellini (empresa depois se tornou Eberle), e brilhou no Madrid, disputando vários campeonatos e muitos amistosos.

Era um meio-campista, clássico, inteligente, de toques sutis na bola, bom lançador, um dos melhores jogadores do amadorismo caxiense na época. Como lembra Bira, dentro de campo Joãozinho se transformava e quem jogou com ele, ou contra ele, sabe do que o irmão está falando. O Joãozinho dócil, educado com todos, se transformava em um jogador valente, irriquieto, brigão, até indisciplinado às vezes, mas com o objetivo único de ajudar o seu time a ganhar jogos e campeonatos. Quando o jogo acabava, voltava a ser o Joãozinho tranquilo, alegre, amigo de todos. Assim, construiu um grande círculo de amizades, mesmo quando deixou o esporte – incluam-se aí passagens também pelo futsal, como atleta e como treinador, e também como treinador de futebol. “Mesmo nos últimos anos de vida, o Joãozinho não deixava transparecer aos outros os problemas de saúde que enfrentava”, acrescenta o irmão Bira, lembrando que ainda que Joãozinho era um fervoroso torcedor do Inter de Porto Alegre.

Quando deixou a Bellini, Joãozinho foi trabalhar com o amigo Mauro Lazzarotto, proprietário então de dois motéis na cidade. Mais tarde, já cinquentão e aposentado, fez um curso de técnico de enfermagem e trabalhou em algumas clínicas na cidade, entre elas a Clínica Fátima, onde era funcionário até o mês passado.

Família Joãozinho construiu uma família, com a esposa Clari Maria Rech de Freitas, de quatro filhos: Maicol, Waleska, Cristiane e Bruna. Além deles, deixa os netos Eduardo (6 anos) e Lorrana (4 anos). Filho de Zeferino de Oliveira Freitas e Lídia Braga de Freitas, Joãozinho é de uma família numerosa, de muitos irmãos: Zenia (em memória), Nagê, Maria, Eni, Nery, Marina (em memória), Nolli, Enio, Bira, Cleusa e Flávio.

(Texto de Gilberto Mendes, um dos tantos amigos de Joãozinho e com quem jogou vários anos no Madrid e também na quadra de futsal do Colégio do Carmo, turma das sextas-feiras à noite).

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